domingo, 3 de julho de 2011

com tiranos não combinam brasileiros corações

O dois de julho, portanto, ficou marcado na história do Brasil como sendo a data em que, definitivamente, o exército brasileiro, com luta e apoio popular, tomou o último reduto português em nosso solo.

Dois de julho, é feriado na Bahia. É o dia em que comemoramos a nossa independência, mas na verdade esta é a data em se deveria comemorar a independência do Brasil. A rigor, o dois de julho é mais importante para o processo de luta pela independência do Brasil do que mesmo o sete de setembro. Não é bairrismo de baiano, não! É verdade!

Aliás, a imagem que o Brasil tem da independência é aquela do quadro do pintor Pedro Américo em que o imperador Pedro I, montado a cavalo e empunhando uma espada, gritou para uns poucos soldados: independência ou morte! Sem povo, sem luta, sem guerra, sem sangue, tudo na paz…

Na Bahia, não. Aqui teve luta e foi daqui que os portugueses foram definitivamente expulsos das terras brasileiras. Há também relatos fantasiosos como a participação de Maria Quitéria, mulher vestida de soldado, no exército brasileiro e do cabo-corneta, Luiz Lopes, que teria salvado o exército brasileiro ao tocar “avançar a cavalaria, e sucessivamente à degola”, ao contrário do toque de retirada ordenado pelo Tenente-coronel Barros Falcão, na histórica batalha de Pirajá.

O certo é que as tropas do português Bandeira de Mello foram sitiadas em Salvador e abandonaram a cidade em 1º de julho de 1823. No dia seguinte, em dois de julho de 1823, o exército brasileiro entrou em Salvador pela Estrada das Boaiadas (hoje bairro da Liberdade), Lapinha, Soledade, Carmo, Pelourinho, Terreiro de Jesus, Praça da Sé e Praça Municipal.

O dois de julho, portanto, ficou marcado na história do Brasil como sendo a data em que, definitivamente, o exército brasileiro, com luta e apoio popular, tomou o último reduto português em nosso solo.

Depois, conta a história que o resultado não foi bem aquele esperado pelo povo, pois a elite continuou no poder e o povo – caboclos, índios e negros – continuaram sem terra, sem casa e sem pão. Teriam vindo daí os sem-terra de hoje?

Gosto muito do refrão do hino ao dois de julho: nunca mais o despotismo regerá nossas ações, com tiranos não combinam brasileiros corações…

Por Gerivaldo Neiva