sexta-feira, 1 de junho de 2012

BAHIA VAI GANHAR PRIMEIRA BIOFÁBRICA DE SISAL DO BRASIL


A Bahia terá em breve a primeira biofábrica de sisal do Brasil, que vai funcionar em Cruz das Almas, numa parceria entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O projeto de engenharia está em fase de elaboração e as obras devem começar em seis meses.
Um importante passo para a implantação da biofábrica será a vinda para a Bahia, em julho, de dois especialistas mexicanos para conhecer o local e dar orientações sobre como efetivar, pela primeira vez no Brasil, um sistema de micropropagação por cultura de tecidos de plantas do gênero agave, que inclui a agave-sisalana (sisal), o híbrido 11.648 (planta resistente à podridão-vermelha, principal doença do sisal) e a agave-tequilana, que por ser rica em açúcar (frutose) permite a produção de destilados, como a tequila mexicana, bioetanol, xarope e o fitoterápico inulina.
Na UFRB, a pesquisadora e pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Ana Cristina Fermino, estará liderando o projeto. O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Paulo Câmera, afirmou que já está sendo realizado, em parceria com a UFRB, um estudo com imagens de satélite para fazer um zoneamento agroecológico da região sisaleira e do semiárido baiano. “O objetivo é identificar em que condições de solo e clima poderemos montar os campos experimentais para introduzir as diversas espécies de agave”.
Câmera disse que, enquanto no México a pesquisa é feita em escala de laboratório, na Bahia, a biofábrica vai produzir mudas em quantidade para fornecer aos produtores. “A intenção é produzir um milhão de mudas por ano, quando a unidade estiver em pleno funcionamento”.
Além de mudas melhoradas para a região sisaleira, a biofábrica produzirá espécies que servirão para produção de bioetanol, bebidas destiladas e produtos farmacêuticos, a exemplo de xampus anticaspa, pomadas para candidíase e outros fitoterápicos. “A tecnologia de micropropagação que será desenvolvida na biofábrica vai permitir a diversificação de espécies e a introdução de plantas melhoradas para a cultura do sisal”, explicou o secretário.